quinta-feira, 21 de outubro de 2010

PRECIOUS

Quando criança, recordo de ter ganho um jogo com várias pedras...
Foi com essa imagem que passei a contemplar as mulheres da minha vida.
Tive um rubi - de pele alva e sentimental -
Uma esmeralda - de negros cabelos e olhar gélido -
Tantas outras, semi-preciosas. Mulheres raras... [privilégio].

A última foi um diamante puro... bruto.
e num trabalho árduo de ourivesaria consegui contemplar algumas partes de seu brilho. E como brilhava...
Talvez quando o trabalho terminasse, eu tivesse nas mãos o mais precioso tesouro.
Não sei se perdi as ferramentas, não sei se a luz que eu usava era perfeita...

Este diamante me foi roubado...

A impressão que eu tenho nesta noite meus amigos: é que, quando o brilho todo da jóia se revelasse - eu cegaria...

Mas uma coisa lhes conto: Em minha memória tenho uma caixinha, onde guardo cada imagem, desde a descoberta da pedra bruta; as primeiras frestas de seu brilho, ou ainda quando ela se aninhava em minhas mãos. Lembro de rir muito quando ela reluzia; lembro da tensão de fazer qualquer movimento errado;
Lembro da alma dela...
Nunca vi seu brilho por inteiro, mas imaginei, imaginei, imaginei...
Eu sei o desafio que me foi dado;
É Deus! talvez eu ainda não soubesse...
Só peço ao ladrão de diamante - saiba cuidá-la!
Que tenha um caixinha [azul]
Pois ela é muito Preciosa...
E se alguém constatar minha jóia junto a outrem...
Avise-a:
eu ainda à espero... pra terminar meu trabalho...

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